27ª Mostra Teatral Hipérion traz programação variada de peças montadas por alunos

27ª Mostra Teatral Hipérion traz programação variada de peças montadas por alunos

De Veríssimo a teatro do absurdo, de comédia a crítica social, de mitologia a teatro infantil. A  27ª Mostra Teatral Hipérion está com programação diversificada para você desfrutar o melhor da produção teatral dos alunos da escola.

A mostra acontece entre 3 e 13 de julho, é aberta ao público e reúne obras montadas pelos alunos ao longo do primeiro semestre de 2019.

Nesta edição, oito montagens compõem o evento, entre adaptações e criações: O cravo não briga com a rosa; Eu chovo, tu choves, ele chove; O nosso rinoceronte; Passagens Urbanas; 1941; Comédias da vida privada; Coletânea dramatúrgica; e O rato no muro.

As apresentações ocorrerão na Hipérion (Av. Norte, 2608 – Encruzilhada) e no Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457 – Boa Vista). Confira a programação a seguir e garanta seu ingresso:

Peça

Quando

Onde

O cravo não briga com a rosa

3/7, 18h e 20h

Teatro Arraial

Eu chovo, tu choves, ele chove

3/7, 18h e 20h

Teatro Arraial

1941

4/7, 19h e 20h30

Teatro Arraial

Coletânea dramatúrgica

7/7, 19h e 20h30

Hipérion

O rinoceronte

10/7, 18h e 20h

Teatro Arraial

Recortes da vida privada

 

11/7, 19h e 20h30

Hipérion

O rato no muro

 

11/7, 18h e 20h

Teatro Arraial

Passagens urbanas

13/7, 18h e 20h

Hipérion

O cravo não briga com a rosa

O cravo não briga com a rosa, escrita por Miro Ribeiro, conta, de forma alegórica, a história de uma rosa que sofre agressões de seu parceiro, o cravo. Embora tenha o apoio de seus amigos –sol, lua, flores, andorinha –, a rosa não resiste e, ao final, é acometida por evento trágico.

“O que quisemos passar com história foi o problema da violência contra a mulher”, conta Renata Lima, diretora da peça e professora da Hipérion.

Na peça, Luma Aguiar, aluna do segundo semestre do curso iniciante, encena os papéis de nuvem e lua. Ela destaca que “a experiência está sendo maravilhosa. Os ensaios são dinâmicos e divertidos, e o conceito da peça é um assunto maravilhoso de se tratar, pois relata um assunto grave na sociedade”.

Esta é a segunda peça na vida de Aguiar, que se diz ansiosa. “Penso toda hora no figurino, nas falas, em tudo”, comenta ela. Mas a confiança sobressai: “torcendo com todo o coração para dar tudo certo”. Pois ela sabe: “Tenho a sensação de que vamos tocar o público com essa história”.

Eu chovo, tu choves, ele chove

Eu chovo, tu choves, ele chove é um clássico da dramaturgia infantil escrito por Sylvia Orthof. Adaptada pelos alunos do curso infantil, a obra gira em torno de um chuveiro que, apaixonado por uma sereia, pede a um pingo para levar uma carta a ela, contendo um pedido de casamento.

Nesse ínterim, uma série de acasos acontecem, tornando a história bem-humorada. Trata-se de um dos textos mais premiados da escritora brasileira, que na obra faz um divertido elogio à liberdade. 

Maria Clara tem apenas nove anos de idade e estuda teatro desde seis. Aluna do curso de teatro infantil da Hipérion, ela já coleciona sete participações em peças, em sua vida.

Mas Eu chovo, tu choves, ele chove tem, para ela, um “sabor especial”, pois foi graças ao trabalho na peça que ela aprendeu técnicas jamais vistas.

“Com as aulas, aprendi a botar o personagem na cabeça. Hoje isso me ajuda muito a pensar e montar o figurino, fala, jeito de andar e outra características. Além disso, a Hipérion me trouxe muitos exercícios de improvisação”, comenta.

Com seus nove anos, Clara, que encena o personagem pingo, tem muito sonhos no teatro. Um deles, ela conta, tem endereço certo: a Broadway, que ela admira e cujo palco quer sentir de perto como atriz profissional.

Clara tem nove anos e sete peças no currículo. Sabe que sua carreira está apenas começando. Mas sabe também que do teatro não sai mais. Para Clara, a Broadway começa na Hipérion.

O nosso rinoceronte

O nosso rinoceronte é uma adaptação de duas peças: uma Eugene Ionesco, figura icônica do teatro do absurdo; e outra de Thornton Wilder. Seu enredo gira em torno do aparecimento inesperado de um rinoceronte nas ruas do Recife, em 2022, acontecimento que provoca alvoroço na cidade.

Diana Giraldo, diretora da peça e professora da Hipérion, ressalta que a peça traz à tona o tema “das relações interpessoais, da quebra na comunicação mesmo com as pessoas que amamos e convivemos”.

Para montar a peça, os alunos criaram um grupo de dramaturgia e extraíram dos dois textos elementos e descobertas criativas que os moviam. “Eles buscavam sempre superar as próprias expectativas, sem medo de se jogar em novas formas, técnicas, narrativas, estilos”, comenta ela.

Na peça, Itioko Santigo interpreta Bérenger, um sujeito ‘desajustado’: contrário às transformações que ocorrem, ele “sente que não se encaixa nos moldes da sociedade. É tido como feio, desastrado, esquecido e até alcoólatra”, descreve o aluno do curso profissionalizante.

Esta é a terceira experiência do ator em formação nos palcos. Mas esta oportunidade, pondera ele, tem um ar de especial: “tem sido uma experiência incrível. Pude experienciar muitas sensações e descobertas que sem dúvida me melhoraram com ator” pontua.  

Com efeito, além de encenar, Santiago também foi assistente de direção da peça, aprendendo os detalhes da arte cênica ao lado de Giraldo, que ele admira: “trabalhar com Diana foi um grande presente”.

Graças à experiência prática obtida, Santiago está cada vez mais seguro de que o teatro é o que ele quer fazer para o resto da vida. “As coisas estão começando a acontecer. Minha turma e eu estamos amadurecendo a ideia de montarmos nossa trupe e hoje venho fazendo testes”.

Ele enxerga o teatro como uma “ferramenta de revolução”. “Meu sonho é conseguir trazer a mudança em alguma medida na vida das pessoas que forem assistir aos espetáculos”. Em 10 de julho, Santiago mostrará ao público que o teatro existe para inquietar.

Passagens urbanas

Passagens urbanas consiste em peça criada coletivamente pelos alunos do curso de teatro livre. Contextualizada em Recife, ela gira em torno de impressões dos personagens sobre a cidade e o contexto urbano. Nesse contexto, movimento, caos e histórias se entrecruzam.

Dirigida por Luiza Fontes, atriz e professora da Hipérion, o trabalho aplica jogos e conceitos teatrais e técnicas de improvisação. No processo criativo, “toda a turma participou com sugestões e olhares ao texto enredo”, ressalta Fontes.

Uma das alunas e atrizes a peça é Saile Campos, que encena Beatriz, uma personagem excêntrica que vive um relacionamento amoroso com um deputado. “Estou gostando bastante porque a gente tem colocado em prática tudo o que aprendeu durante o curso”, pontua.

Com 23 anos e formada em Rádio, TV e Internet, Campos sempre gostou de teatro. Quando criança e adolescente, atuou em espetáculos escola e na igreja.  Mas Passagens urbanas é a primeira peça em que Campos aplica técnicas teatrais profissionais.

E disso ela sente imenso orgulho. “Para mim, tem sido uma experiência incrível realizar esse trabalho”, afirma ela, que pretende seguir carreira e continuará os estudos no curso profissionalizante da escola.

Campos, uma profissional das câmeras, luzes e estúdios, descobriu o foco de sua vida. E ele não está nas lentes que ela maneja com destreza, mas está nos palcos que ela explora sem parar.                 

1941

Montada e encenada pelos alunos do segundo semestre do curso profissionalizante, 1941 é a primeira peça da Trilogia perversa, escrita por Ivo Bender.

Seu enredo gira em torno de Electra, personagem da mitologia grega que busca vingar a morte de seu pai, Agamemnon, em assassinato arquitetado pela própria mãe, Clitemnestra.

A obra de Bender é adaptada à realidade do Rio Grande do Sul e, em se tratando de 1941, toma como pano de fundo uma enchente que ocorre no ano referido.

“Trabalhamos técnicas de construção de cenas através do corpo, mais especificamente com duas ferramentas: action, que descende de processos criativos advindos de Grotovsky, e movimentos e rolamentos de Madame Bézier”, detalha Edson Aranha, professor da Hipérion e diretor da peça. 

   

                                                                                                                                                                          Recortes  da vida privada

Recortes da vida privada é encenada por alunos do curso de teatro livre e adapta a obra homônima, escrita pelo escritor Luís Fernando Veríssimo.

Obra com forte tom humorístico, as Comédias envolvem fortemente, na adaptação dos alunos, técnicas de jogos teatrais e conceitos fundamentais da prática cênica, com base em ensinamentos de Stanislavsky, em especial seu primeiro livro: A preparação do ator

As Comédias, constituídas de 101 crônicas, vivenciamos situações hilárias da classe média. Infidelidades, mesas de bar, angústias e outras experiências compõem a sinfonia do cotidiano

Coletânea dramatúrgica

Coletânea dramatúrgica é uma adaptação teatral realizada pelos alunos do curso livre com base em trabalho homônimo do autor santista Marcus Di Bello.

A obra contempla cinco textos diversos: ‘Salle à Manger’, ‘O Registro’, ‘Prazo Extra’, ‘Espelho Vaidoso’ e ‘Na Sala de Estar’, que se organizam, cada um, duas personagens.

Seus estilos variam entre dramáticos e cômicos, mas mantêm-se unidos pela contemporaneidade de seus temas.

 

 

Av Norte, 2608 Sala 4 , Encruzilhada , Recife-PE | Cep: 52041-080