De criança para criança: atores mirins da Hipérion encenam peças infantis

Os atores e atrizes mirins da Hipérion são movidos a desafios e vivenciam constantemente na escola uma das experiências mais emocionantes das artes cênicas: se apresentar diante de um auditório lotado.
Assim foi com os garotos e garotas que encenaram as peças O Segredo da Arca de Trancoso (Luiz Felipe Botelho) e Como se Fora Brincadeira de Roda (Robson Teles), na ocasião da 25a Mostra Teatral Hipérion, realizada em julho.
No evento, os jovens venceram o frio na barriga e mostraram seu talento e paixão pelo teatro, em uma das raras ocasiões em que os dois textos da dramaturgia infantil foram montados por atores mirins. Frequentemente, são atores adultos que encenam peças para crianças.

 

 

Aprendizado na prática 

“Estou superorgulhosa com nossa experiência. Os jovens se dedicaram fortemente nos ensaios e encenaram muito bem as duas peças”, diz Renata Lima, atriz, professora de teatro na Hipérion e diretora dos dois espetáculos na mostra. Prova dessa dedicação foi Ana Maria Sena, 10, que está na Hipérion há três anos e sonha em ser uma grande atriz. Ela encenou na peça escrita por Teles e lembra ter ensaiado muito e estudado o texto até minutos antes do espetáculo.

Para ela, a oportunidade permitiu “aprender a me desenvolver em um trabalho no teatro diante do público”. E Sena quer mais: “fiquei muito feliz com o resultado da peça e estou ansiosa para nos apresentarmos de novo. Essa experiência me ajudou a me desenvolver como atriz”.
Livia Kellyane Silva de França,16, estuda na Hipérion desde 2016. Ela atuou na obra de Botelho e conta que as apresentações lhe permitiram aprimorar o controle do nervosismo e aperfeiçoar sua atuação, contando com o apoio da diretora.
“Sempre que fazia o Milanga [vilão na peça de Botelho], eu sentia que não me saía bem, então a professora me ajudou bastante a destacar sempre a fúria dele. E acho que melhorei em 100% com esse auxílio”, detalha França.

Ritos de passagem

O Segredo da Arca de Trancoso é obra inspirada na tradição lusitana dos contos populares. Ela retoma o nome de Gonçalo Fernandes Trancoso, um dos primeiros contistas portugueses do século XVI, cuja obra é, até hoje, referência na transmissão de histórias pela oralidade.
“O poder dos contos orais, assim como o do próprio teatro, está no modo como eles favorecem a comunicação presencial e o compartilhamento direto de conteúdos sensíveis entre seres humanos”, analisa Botelho, renomado dramaturgo recifense e autor do texto da peça.

Botelho desenvolve, assim, um enredo de fascínio, surpresas e adversidades ao narrar a história de um menino, que recebe curiosa missão de uma feiticeira: entregar uma arca a seu respectivo dono, com a condição de jamais abri-la.
No caminho, o garoto se depara com inúmeros contratempos: pessoas mal-intencionadas, animais falantes e criaturas fantásticas que surgem para tentar tomar a arca. Repleto de apuros, o percurso do jovem simboliza, então, seu próprio processo de crescimento.

“A peça aborda uma trajetória arquetípica de amadurecimento, a transição da infância para a adolescência e os vislumbres de uma futura maturidade”, destaca Botelho.
“Montar essa peça foi um prazer, pois ela traz ensinamentos muito ricos quanto à maneira de enxergar os percalços que enfrentamos no curso de nossas vidas”, conta a diretora da peça e professora da Hipérion.
A obra já foi encenada e adaptada em diversos espetáculos no Brasil e no exterior. Tal sucesso, analisa Botelho, “indica que as questões levantadas pela peça estão dialogando bem com a plateia, que parece se emocionar tanto quanto eu me emocionei durante o processo de criação”.
Para o dramaturgo, a peça tem despertado o interesse dos jovens ao expor os desafios impostos pela vida e ao evidenciar os modos pelos quais o ser humano produz seus sofrimentos, vence-os e conquista a plenitude.

O brincar: ontem e hoje

Como se Fora Brincadeira de Roda, por sua vez, permite-nos mergulhar no universo lúdico da infância. Seu enredo centra-se no personagem Binho, senhor que conta a uma criança como eram sua infância e as brincadeiras da época, como peão, bola de gude, pipa e cantigas de roda.

Binho relata a ocasião em que se mudou por conta do novo emprego que seu pai obtivera e teve de deixar seus amigos Feno, Mana, Lilinha e Mila. Destaca, então, a difícil experiência que foi contornar uma infância solitária por meio de seus brinquedos.
“Ao apresentar essa peça na mostra, buscamos resgatar antigas brincandeiras de infância e estimular a reflexão sobre a maneira como o universo infantil e as formas de brincar têm se transformado no mundo contempôraneo”, explica a Renata Lima.

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