Esquete sobre criação no teatro é premiado no V Experimentart; conheça os vencedores

Foi em 2016 que Gabriela Araújo, Maria Carvalho, Bruno Albuquerque e Rafaella Barros enlaçaram seus caminhos. Naquele ano, eles começaram os estudos de teatro na Hipérion e semearam desde então o encontro que, mais tarde, lhes reservaria algo especial.

Três anos depois, o destino foi implacável. Os jovens atores e atrizes em formação sagraram-se os vencedores da quinta edição do Experimentart com a montagem do esquete Jogos experimentais.

O trabalho, apresentado no concurso em 5 de maio na escola, concorreu com outros cinco grupos e narra a história de quatro estudantes de teatro que, confinados em uma sala, são forçados a montar uma peça em três horas, sob pena de sofrer punições caso contrário. Com isso, o esquete destaca as dificuldades que eles encontram ao longo do processo criativo e provoca uma reflexão sobre o que é a criação e seus obstáculos no teatro.

 

 

 

Um aprendizado

Maria Carvalho, 22, atuou no esquete como Camila, caracterizada pela atriz em formação como “uma patricinha mimada que só pensa no seu status social e em lucrar em tudo o que faz”.

Um desafio, fazer a personagem foi, para Carvalho, “um aprendizado”, graças ao qual ela sente “mais preparada para lidar com problemas que podem surgir nas apresentações e contorná-los”.

 

Ao receber a notícia da premiação diante do júri, Carvalho não sabia como reagir. “Foi uma surpresa. Demorei para acreditar”, conta.

Há três anos, ela, que também é estudante de administração, decidiu aprender teatro para ter “a oportunidade de viver novas experiências, de me divertir e superar alguns medos que tinha como o medo de apresentações em público”.

Viver uma experiência nova era, portanto, um importante objetivo de Clara com o teatro. E deu certo: foi premiada, descobriu um talento e agora enxerga no reconhecimento um incentivo para continuar estudando, buscar novas oportunidades e, quem sabe, seguir carreira de vez.

 

 

A repetição leva à perfeição

Um aspirante a ator machista que se acha importante demais para ser coadjuvante. Assim é Winiskleiton, personagem interpretado por Bruno Albuquerque, 33, na obra.

Albuquerque é gerente financeiro e destaca que sempre quis ser ator. Todavia, por falta de “atitude”, jamais levou a cabo sua ambição. Até 2016, quando se inscreveu na Hipérion.

Para ele, o principal desafio no Experimentart foi conceber um texto autoral. “Mas a estória tem a ver com a vivência nossa vivência como atores em formação. Por isso, pudemos brincar bastante com o tema”, contrapõe.

Segundo reza o ditado, a repetição leva à perfeição. E foi assim, repassando a peça aos colegas de estudo, que o grupo pode aprimorar a atuação.

“A oportunidade que tivemos de apresentar às outras equipes foi essencial para identificar onde precisávamos melhorar”, conta.

Porém, o segredo maior era: não ‘encanar’ com a competição em si. “Durante as apresentações, eu pensava apenas no público, nas reações e como poderíamos melhorar para atingir o objetivo da peça: passar a mensagem de que atuar não é uma brincadeira qualquer”.

Com a premiação, Albuquerque sente-se ainda mais dedicado no teatro. Para ele, atuar é coisa séria: “exige muita dedicação, estudo e abnegação. É preciso respeitar o ofício e entender que, para fazer bem feito, é preciso se entregar totalmente”.

 

 

Uma avalanche de ideias

A estudante Gabriela Araújo, 19, é o movimento em pessoa. Agitada, desde criança, sempre fez esporte, mas o teatro é que fazia seus olhos brilharem. Em 2016, matriculou-se na Hipérion e realizou um de seus sonhos.

Em Jogos experimentais, Araújo interpreta Mariana, jovem amante das ciências políticas que adora falar sobre feminismo e que quer fazer uma peça revolucionária.

“O nosso processo criativo foi uma avalanche de ideias, com todos ajudando a construir o roteiro e colocando um pouco de si e do que aprendemos esses anos todos”, sintetiza ela.

Questionada se esperava a premiação, Araújo confessa que não nutria lá muitas esperanças, pois, no dia da apresentação, sua cabeça não saía no erros pontuais que havia cometido.

“Mas quando eu ouvi o nome da nossa trupe veio uma sensação incrível de reconhecimento e satisfação, me senti muito orgulhosa da nossa evolução como um grupo”.

Ganhar o Experimentart, afirma Araújo, mostrou sua capacidade de realizar metas. Mas, sobretudo, que se trata de só um passo de muitos: “o prêmio significa que muitas coisas ainda virão e que eu ainda tenho muito que aprender”, destaca.

Por isso, a estudante já planeja seu futuro nas artes. Quero me aperfeiçoar e buscar trabalhos por fora, em curtas, para ter mais experiência, aprender e evoluir”, finaliza.

 

 

 

Saindo da rotina

Todos os dias de manhã, ir ao consultório, atender pacientes, receitar medicamentos e, às vezes, cumprir plantões. Depois, voltar para casa. Preparar a janta. E aproveitar o resto da noite que sobra assistindo a filmes ou lendo.

Rafaella Barros da Paixão, 32, é médica e ama sua profissão. Porém, com o tempo, o sabor insosso da rotina começou a tocar sua alma. Precisava de algo para quebrar o círculo vicioso casa-trabalho-casa.

Nesse caso, qual seria a melhor prescrição? Teatro! Nessa arte, Paixão encontrou o antídoto certo e hoje enxerga a prática cênica como “uma sensação de pertencimento”.

Na peça, Paixão interpretou Lívia, jovem sonhadora cujo maior objetivo era “ser amada pelo público”.

Para ela, um importante destaque da obra foi que “expusemos obstáculos, desejos e vivências da profissão”.

Paixão destaca que, apesar da importância do prêmio, seu foco estava inteiro na atuação. “O mais importante era contar nossa história, e eu já estava muito feliz em deixar nossa mensagem ao público”, conta.

A experiência no Experimentart foi um presente: “É um presente ter a chance de fazer o que se ama com pessoas comprometidas e dedicadas, melhor ainda quando são seus amigos”, destaca.

Mas um presente que não cai do céu, pois é “é fruto de centenas de horas de aulas, de palcos, de ensaios”.

No final, compensou. Contra a rotina, Paixão queria um remédio. Mas encontrou não só uma receita para seu dia a dia, mas também a prazerosa sensação de ter um trabalho reconhecido em um concorrido concurso.

 

Sobre o Experimentart

O Experimentart é um concurso realizado semestralmente pela Hipérion. Ele permite que os alunos montem obras teatrais de forma experimental e autoral e vivenciem a experiência de palco.

Os inscritos no concurso formam grupos de até seis membros e têm como missão escrever, produzir e encenar um esquete que dure até 12 minutos.

Formadas as equipes, seus integrantes têm o desafio de atuar em pelo menos uma das funções do teatro: ator, diretor, operador de som, dramaturgo ou figurinista, entre outras.

Para tanto, cada grupo conta com o apoio técnico e logístico da Hipérion e é auxiliado por um professor.

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