Saiba como os alunos da Hipérion criaram seus personagens e cenas para a 25a Mostra Teatral

No teatro, é preciso ter muito jogo de cintura, improviso e criatividade. Foi tudo isso que nossos atores e atrizes em formação mostraram de sobra na 25a Mostra Teatral Hipérion, realizada em julho.

Na ocasião, os jovens do primeiro semestre de 2018 do Curso de Formação de Atores encenaram, diante de um auditório lotado, as peças Caleidoscópio: Fragmentos de Duas Histórias e Uma Vida para Contar.

Eles se dedicaram com afinco para transformar em realidade as ideias surgidas ao longo dos meses de estudo e dar vida a cenas e personagens originais.

“Os alunos criaram personagens ao longo do semestre, e a partir daí escolhemos aqueles de que mais gostamos. Depois, os jovens elaboraram diversas cenas”, conta Edson Aranha, professor da Hipérion e diretor de ambas as peças.

Tais cenas foram, por fim, organizadas por Aranha em torno das duas peças. “Foi um processo de determinação de todos, cujo resultado foi muito satisfatório. Os alunos foram ótimos”, avalia Aranha.

 Caleidoscópio: Fragmentos de Duas Histórias

Caleidoscópio: Fragmentos de Duas Histórias, escrita por Aranha e alunos, propõe duas narrativas autônomas entre si, abordando temas como sexualidade e violência.

A primeira tem como enredo a história de um jovem transgênero, que vivencia inúmeros obstáculos para reconhecer-se enquanto tal. Seu objetivo, descobrir-se, é constantemente dificultado pelas pressões de uma sociedade alheia às diferenças.

“Sempre ouvimos falar de travesti, transgêneros, mas não sabemos o que é estar na pele deles. Eu pude conhecer melhor essa realidade: sentir-se em um corpo que, na verdade, não é o seu”, revela Gabi Santos, que encenou o personagem.

A segunda história de Caleidoscópio retrata um médico psicopata que violenta moças com distúrbios mentais. Pela narrativa, tomamos conhecimento de uma das vítimas e vivenciamos o momento em que uma jovem, prestes a ser atacada pelo criminoso, é salva por um detetive.

O personagem, que tem um estilo serial killer, se inspira no famoso psiquiatra Hannibal Lecter, criado por Thomas Harris no filme Dragão Vermelho.

Uma Vida para Contar

Uma Vida para Contar, peça também escrita por Aranha e alunos, gira em torno de uma escritora que narra sua própria história e de suas obras.

Ela interage com seus próprios personagens, comemora seus 90 anos, mas, surpreendida pelos destinos da vida, acaba falecendo.   

Na peça, Eduardo Gardel fez o papel de vidente, que é uma personagem que a escritora reaviva de seus livros. Para ele, foi missão desafiadora, e precisou treinar muito para adquirir gestos e expressões típicos do papel.

“Eu nunca tinha vivido uma mulher no teatro, e nunca tive contato direto com o mundo das videntes”, conta.  

Mas o teatro é a arte de fazer-se outro.  Ele permite “esse exercício de a gente buscar em nós o que a gente acha que não tem, mas, na verdade, apenas escondemos”, analisa Gabriel Maia, que também encenou na peça.

Na mesma direção, Pedro Monteiro conta que participar do elenco peça trouxe um “sentimento de felicidade misturado com ansiedade e um friozinho na barriga que acompanha a gente antes de entrar em cena”.

Todavia, ao final, a tensão foi vencida pela concentração e atuação caprichada. “Quando entrei em palco, eu virei observador de mim mesmo, o corpo e a mente seguiram a valsa daquele momento, como se fossem dois corpos em um”, expõe Monteiro.

Para o ator em formação, fazer teatro foi “a descoberta feliz de um mundo novo que me arrepiou das pontas dos pés as pontas quebradiças dos meus lindos cabelos cacheados”. 

Jogos teatrais

Durante o semestre, os alunos treinaram bastante para exercitar o improviso, a espontaneidade e outras características exigidas pelos dois espetáculos. “Nas aulas de teatro temos a possibilidade de experimentar diversos movimentos corporais, vozes e fazer muita careta”, detalha Monteiro.

Para isso, eles fizeram uso dos chamados “jogos teatrais”, método de ensino da dramaturgia que se vale de atividades lúdicas.

Por esse método, os alunos utilizam jogos – que podem ser simples brincadeiras infantis ou outras concebidas especificamente para o teatro – para aplicar os conceitos da dramaturgia e praticar habilidades.

“É uma maneira orgânica de os alunos aprenderem os conceitos, em vez de estritamente acadêmica, pela leitura”, compara Aranha.

A dramaturga norte-americana Viola Spolin é uma das autoras mais influentes sobre o assunto. Para ela, que ensinou teatro a imigrantes nos EUA, “qualquer um pode atuar, qualquer um pode improvisar, qualquer um pode adquirir as habilidades e competências para ser o senhor dos palcos” (Improvisação para o Teatro. São Paulo: Perspectiva, 2011).

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